terça-feira, 15 de maio de 2012



 Deus Fala Minha Língua

Em 1917 Wiliam Cameron Townsend foi trabalhar como missionário na Guatemala. Por volta de 1919 certo dia Townsend  estava vendendo Bíblias e distribuindo folhetos em Espanhol quando se encontrou com um indígena Cakchiquel. O índio Cakchiquel quando viu o folheto em espanhol que aquele gringo tinha lhe dado e ouvindo-o falar do amor de Deus, ele perguntou: “se o seu Deus é tão grande e nos ama porquê ele não fala minha língua?” Foi quando Cameron Townsend e sentiu desafiado a levar a Bíblia na língua materna daquele povo. Este episódio levou Tawsend a fundar, em 1934, a agencia missionária Wycleffe que atua fortemente na área de tradução das Escrituras, a qual tem sido um marco no trabalho de tradução da Bíblia ao redor do mundo.

Na Bíblia encontramos duas narrativas que argumentam fortemente a respeito da importância da língua de um povo. No capítulo 11 do livro de Gênesis vemos que em toda a terra havia apenas uma língua com a qual o povo se comunicava. A maldade humana levou os homens a querer tornar o seu nome conhecido e assim enaltecer a capacidade humana, então o SENHOR resolveu dar um fim no plano humano fazendo um revira-volta naquilo que os tornava um, a língua. O Senhor disse: “Venham, desçamos e confundamos a língua que falam, para que não entendam mais uns aos outros”. Assim o SENHOR os dispersou dali por toda a terra, e pararam de construir a cidade. (Gn 11.7-8, NVI).

Em Atos dos Apóstolos no capítulo dois também é possível ver a importância da língua dos povos. Os discípulos se encontravam em Jerusalém conforme o Cristo os avia instruídos. Jerusalém era uma cidade pela qual pessoas de diversas partes do mundo passavam ou residiam, fixa ou temporariamente. É claro que essas pessoas falavam a sua própria língua materna em seus lares ou com os seus patrícios, mas aconteceu algo diferente perante as pessoas que se encontravam em Jerusalém na festa judaica chamada Pentecostes ou Festa da Colheita que acontecia cinquenta dias depois do oferecimento a Deus pelas primícias da colheita, isto era sete semanas após a Páscoa. Todas as pessoas que presenciaram o ocorrido ficaram perplexas, pois sendo os discípulos Galileus falavam em outras línguas. Os romanos, pessoas naturais da Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, Egito, Líbia e de outros lugares ouviam a pregação do evangelho em sua própria língua materna. As pessoas se perguntavam: como os ouvimos, cada um de nós, em nossa própria língua materna? (At. 2.8). As pessoas ouviam falar das grandezas de Deus na língua que lhes falava ao coração.

Uma das coisas que em Gênesis capítulo onze a Bíblia nos trás é a importância da língua para um povo, para uma nação ou para o mundo. Em Atos capítulo dois, uma das coisas que esta passagem nos mostra é a importância da pregação na língua do povo. Em Atos dois Deus se mostra como um Deus multicultural, um Deus que fala com cada um na sua própria língua, se mostra como o Deus soberano de todos os povos e não apenas como o Deus do povo Judeu, pois Ele não é um deus de um ou de alguns povos, mas sim O Deus, o único e verdadeiro Deus de todas as nações.
Ainda há pessoas que se perguntam: Deus fala minha língua? Deus fala minha língua? Sim! Deus fala tua língua, Deus fala minha língua, Deus fala a língua de todos os povos, pois Ele é o Senhor de todas as raças!

Aurelio Vea Vargas

quarta-feira, 25 de abril de 2012



ADAPTAÇÃO CULTURAL E O USO DA INTERNET
Márcia Tostes

Temos pensado nos últimos dias um pouco mais sobre a adaptação cultural de nossos missionários. Desde o inicio da nossa organização, Missão Antioquia, esta foi uma marca, pois segundo àqueles que nos ensinaram missões, incluindo a Miss Barbara Burns, este ponto foi de grande importância. Ela em si,  já foi um exemplo, pois 40 anos atrás , quando veio para o Brasil, foi morar conosco lá no interior do estado do Paraná, onde se fez uma de nós. Lembro-me bem dela citando Fil. 2:5-7, sobre Jesus o nosso maior exemplo de contextualização, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens.
Na nossa historia temos tido exemplos maravilhosos deste ponto. Mas também temos nos preocupado que com o avanço da tecnologia, com a facilidade de comunicação, muitos dos missionários de hoje, acabam fazendo mau uso da mesma e gastam mais tempo vivendo a vida do seu país de origem, da sua igreja, da sua família, dos seus amigos, e até mesmo da sua televisão. Tirando assim a oportunidade e tempo para estar mais de perto dos  nacionais.

Pensando nisso, Silas Tostes, atual presidente  da Missão Antioquia,  enviou uma mensagem aos nossos obreiros. Nesta mensagem ele relacionou a adaptação cultural ao uso sem limite da internet, dizendo que aqui e ali se fala do quanto este hábito tem tirado o tempo da oração, do estudo, do trabalho e, além disso, o tempo de convívio com a cultura hospedeira. Muita facilidade de comunicação com o país de origem, tem trazido dificuldades antes não existidas.

Seguindo seu conselho, para maximizar seu tempo, o missionário deve administrar bem seu uso de internet, separando algum tempo para contato com a igreja, pastor, agência missionária, amigos, etc. Para ele,  tempo demais na internet é tempo desperdiçado para o trabalho e para a adaptação cultural. Faz-se necessário também um cuidado especial com constantes contatos com outros obreiros. Uma regra básica pode trazer muito resultado: Sempre pergunte para você mesmo, essa conversa, esse hábito, essa situação, edifica, consola e exorta? Se não edifica, se não consola, se não exorta, não vem do Espírito Santo.

Ele indica a leitura do livro do Paul Hiebert: O Evangelho e a Diversidade de Culturas. O qual aborda o dia a dia do missionário no contexto da antropologia missionária. Ajudaria muito ler este livro antes do envio ao campo e rele-lo, principalmente no primeiro ano na nova cultura.

Ele aborda pontos importantes, como o obreiro no papel de mediador cultural, que acaba sendo especialista da cultura local, enquanto conhece a sua própria cultura. Nesse papel, se não tomar cuidado, pode passar a manipular informações. O missionário fala para a agência o que o obreiro gostaria que a agência ouvisse, o mesmo ocorre com a família e para a igreja enviadora (mantenedores). Mas manipular levará a casa cair. Mediador cultural que perde a confiança é aquele que acaba perdendo o ministério. O livro do Paul Hiebert está em nova edição na Vida Nova.

Outro alerta, de Silas Tostes, é cuidado  que o missionário deve ter na comunicação com a igreja enviadora. Normalmente os pastores não estudaram missões e, portanto, podem ter mais mais dificuldades de entender algumas situações. Entenderão a partir de suas categorias(expectativas) culturais e isso poderá ser o motivo do retorno prematuro. Tivemos um caso que a obreira não saía do msn com o pastor. Levou tantos problemas do campo  paraele, que por fim, ele concluiu que já que havia tantas dificuldades, não valia a pena continuar no campo e pediu para a obreira voltar.

Lembremo-nos  de nossas reações etnocêntricas, quando não estamos totalmente adaptados, comparamos o Brasil com a outra cultura, sempre valorizando a nossa e desprezando a outra. Só que desprezar a cultura onde estamos,  ofende o povo e fecha a porta para ministério. Não há missões sem sacrifício, sem adaptação, sem ser aceito pelo povo, sem identificação cultural, tornando-se um com os nacionais, os amando apesar de suas dificuldades.

Vejam abaixo a linda resposta que recebemos de um de nossos missionários à mensagem de Silas Tostes. Edinho e sua esposa Paula servem em Burkina Fasso e dão um bom exemplo do uso da internet e de sua adaptação cultural.

Creio que a sua mensagem enviada a nós obreiros,  está correta e graças a Deus, já tínhamos percebido isto em nossa vida e já mudamos algumas coisas: trocamos o msn e demos somente para a família e líderes, restando somente 10% do que tínhamos; Ligamos para alguns mantenedores para manter contato pelo skype, mas sem exagerar.  Sempre mandamos notícias para um blog que criamos e assim os amigos podem entrar e saber sobre nos, desta maneira  evitamos ler e ter que responder inúmeros emails, etc. Isto tem dado um bom resultado.

O livro que mencionou, lembro-me que o li durante o CPM, depois li quando cheguei aqui em Burkina em 2005 e há dois meses atrás, quando já possuo outra visão de campo. Esta leitura me levou a refletir no meu crescimento tanto na adaptação, como no conhecimento da cultura. Sobre a identificação com o povo, tive uma experiência outro dia a qual me alegrou muito.

Parte do meu ministério se faz através de uma Escola de Futebol. Estamos em meio a um torneio. No final de um dos jogos, fomos surpreendidos por uma forte tempestade de chuva(digo isto, pois poderia ser de areia!). Todos correram para uma pequena cozinha africana, creio que 2m x 3 m quadrado. Tinha uns 30 meninos ali e eu. Todos nós molhados, mas o tempo todo rindo, conversando, e vendo a chuva.

Pus-me a analisar minha vida no meio deles e como estou me comportando com eles. Ficamos quase uma hora nesse lugarzinho sujo, pequeno, mas era o centro da vontade de Deus mim. No final,  pude observar que todos eles são meus filhos adotivos e o quanto  os amo. Vale  a pena estar com eles. Fui tomado por  um sentimento  de MUITA alegria, pois estava no meio do continente africano com os filhinhos que Deus me deu... uma sensação MARAVILHOSA.

Na terça feira,  seria  a final do torneio de futebol e nossa equipe esta classificada. Já estou pensando em fazer uma festa com eles, pois este mês, a Escola de Futebol, Meninos de Ouro, faz 3 anos. A taça será o presente e Jesus o convidado especial. Amamos a Deus e somos felizes de servi-lo aqui no meio deste povo querido.

Que o Senhor mesmo nos de muitas outras histórias bonitas como esta. Que nossos missionários sejam sábios no uso da tecnologia e que sigam o exemplo de Jesus – de humildade, de esvaziar-se a si mesmo e de obediência.


OBS: Desculpem por não citar fonte, tentei achar, mas não  encontrei. O artigo o recebi por e-mail, foi passado para os missionários da Horizontes a pedido do David Botelho (Presidente da Missão Horizontes). - Aurelio Vea Vargas.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Pensando um pouco na Tradução das Escrituras


Os últimos anos da minha vida não têm sido como eu esperava que fossem, mas não reclamo disso e não digo como frustração, pois também, esses anos têm sido de muita bênção pra mim. Acima disso, está a prioridade de permanecer onde eu estou que é no centro da vontade de Deus. Com certeza, é onde Ele quer que eu esteja, e a Sua palavra me garante isso. Ter a palavra de Deus no meu próprio idioma (Espanhol) e também em Português é uma grande honra, mas também a vejo como uma grande responsabilidade que nos foi dada, não somente para sentar no sofá ou na cama e ler essa preciosa palavra, mas como uma mensagem que precisa ser passada, não somente na nossa cultura como também transculturalmente. Além do mais, vemos muitas passagens na Bíblia que nos encoraja a tal fato, tendo como maior exemplo, o próprio Mestre. É ai onde temos a nossa vaga dada pelo próprio Deus para servi-lo e poder fazer o nosso papel como verdadeira noiva de Cristo. Mas como levar essa palavra para todos os povos se nem todos falam português, inglês ou espanhol?...A minha resposta seria: obediência e trabalho.
    A tradução da Bíblia é um trabalho que requer tempo e disposição, é um trabalho demorado, porém, com certeza, gratificante para o Reino de Deus. É o crescimento do Reino de Deus que a igreja precisa focalizar e não qualquer outro tipo de crescimento que  não contribua para o crescimento deste Reino. O povo de Deus está se perdendo no meio de uma crescente religiosidade doutrinária, enquanto povos estão esperando pela palavra da Vida que é Jesus. A. W. Tozer certa vez afirmou: "Os cientistas modernos perderam Deus de vista, em meio às maravilhas da sua criação; nós, os crentes, corremos o perigo de perdermos Deus de vista em meio às maravilhas de Sua Palavra". Jesus mesmo disse: ‘‘Eu sou o caminho a verdade e a VIDA, ninguém vem ao Pai a não ser por mim’’, mas agora a pergunta é: como os povos vão conhecer a verdade que liberta, limpa de todo pecado e  que gera essa Vida eterna?
    Jonh Wycliffe, um professor da faculdade de Oxford na Inglaterra, viu a necessidade que o povo tinha de ler a Bíblia, pois a Palavra de Deus era em latim e o povo não falava o latim e sim o inglês. Vendo essa necessidade, Wycliffe, traduziu a Bíblia para o inglês, sofreu perseguição por causa da atitude que tomou, entretanto, o crescimento foi para o Reino de Deus.
    Deus quer usar pessoas assim como usou Jonh Wycliffe, João Ferreira de Almeida e muitos outros homens que deixaram ser usados por  Ele, pessoas que obedeceram a voz do seu Mestre, pessoas que investiram tempo no crescimento do Reino de Deus.     
....Amados, será que a igreja de Cristo tem cumprido seu verdadeiro papel como tal? O Pr. Marcos Paes Leme questiona: ‘‘Que tipo de fogo tem queimado nas igrejas, que ninguém fora delas tem sentido nenhum calorzinho espiritual?’’ O corpo de Cristo, não é  a noiva de Cristo para estar somente dentro de quatro paredes, assim como a luz não é luz para iluminar outra luz, mas sim para iluminar onde há presença de escuridão. 
   Se a nossa prioridade é encher os bancos do templo para que a igreja seja a mais bonita ou rica da cidade, somente para ser admirada pelas pessoas de dentro ou fora da igreja, ‘‘erramos o alvo’’. Se a nossa prioridade é implantar uma igreja da nossa denominação  onde já tem um alicerce formado, ‘‘erramos o alvo’’ pois está claro que não visamos o crescimento do Reino de Deus e sim o crescimento do ‘‘reino da nossa doutrina ou denominação’’.
    A igreja  de Cristo está precisando de um avivamento verdadeiro e quando digo avivamento não estou falando de enchimento de templos, mas sim uma verdadeira manifestação do Espírito Santo de Deus, para que assim possamos viver o que o doutor Lucas registra: ‘‘E recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas TANTO em Jerusalém COMO em toda Judéia E Samaria e ATÉ os confins da terra”. (At 1:8)
    O povo de Deus precisa ser conscientizado para que o avivamento do Espirito Santo venha a ser um impacto às nações, povos e pessoas que existam neste mundo, pessoas que precisam conhecer o Amor de Cristo, além disso, o privilégio que nos foi dado requer uma responsabilidade, falar do Amor de Cristo.
Aurelio Vea Vargas.