Temos
pensado nos últimos dias um pouco mais sobre a adaptação cultural de nossos missionários.
Desde o inicio da nossa organização, Missão Antioquia, esta foi uma marca, pois
segundo àqueles que nos ensinaram missões, incluindo a Miss Barbara Burns, este
ponto foi de grande importância. Ela em si,
já foi um exemplo, pois 40 anos atrás , quando veio para o Brasil, foi
morar conosco lá no interior do estado do Paraná, onde se fez uma de nós. Lembro-me
bem dela citando Fil. 2:5-7, sobre Jesus o nosso maior exemplo de contextualização,
embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia
apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se
semelhante aos homens.
Na nossa
historia temos tido exemplos maravilhosos deste ponto. Mas também temos nos preocupado
que com o avanço da tecnologia, com a facilidade de comunicação, muitos dos missionários
de hoje, acabam fazendo mau uso da mesma e gastam mais tempo vivendo a vida do
seu país de origem, da sua igreja, da sua família, dos seus amigos, e até mesmo
da sua televisão. Tirando assim a oportunidade e tempo para estar mais de perto
dos nacionais.
Pensando
nisso, Silas Tostes, atual presidente da
Missão Antioquia, enviou uma mensagem aos
nossos obreiros. Nesta mensagem ele relacionou a adaptação cultural ao uso sem
limite da internet, dizendo que aqui e ali se fala do quanto este hábito tem
tirado o tempo da oração, do estudo, do trabalho e, além disso, o tempo de
convívio com a cultura hospedeira. Muita facilidade de comunicação com o país
de origem, tem trazido dificuldades antes não existidas.
Seguindo
seu conselho, para maximizar seu tempo, o missionário deve administrar bem seu uso
de internet, separando algum tempo para contato com a igreja, pastor, agência missionária,
amigos, etc. Para ele, tempo demais na
internet é tempo desperdiçado para o trabalho e para a adaptação cultural.
Faz-se necessário também um cuidado especial com constantes contatos com outros
obreiros. Uma regra básica pode trazer muito resultado: Sempre pergunte para
você mesmo, essa conversa, esse hábito, essa situação, edifica, consola e
exorta? Se não edifica, se não consola, se não exorta, não vem do Espírito
Santo.
Ele indica
a leitura do livro do Paul Hiebert: O Evangelho e a Diversidade de Culturas. O
qual aborda o dia a dia do missionário no contexto da antropologia missionária.
Ajudaria muito ler este livro antes do envio ao campo e rele-lo, principalmente
no primeiro ano na nova cultura.
Ele aborda
pontos importantes, como o obreiro no papel de mediador cultural, que acaba sendo
especialista da cultura local, enquanto conhece a sua própria cultura. Nesse
papel, se não tomar cuidado, pode passar a manipular informações. O missionário
fala para a agência o que o obreiro gostaria que a agência ouvisse, o mesmo
ocorre com a família e para a igreja enviadora (mantenedores). Mas manipular
levará a casa cair. Mediador cultural que perde a confiança é aquele que acaba
perdendo o ministério. O livro do Paul Hiebert está em nova edição na Vida
Nova.
Outro
alerta, de Silas Tostes, é cuidado que o
missionário deve ter na comunicação com a igreja enviadora. Normalmente os
pastores não estudaram missões e, portanto, podem ter mais mais dificuldades de
entender algumas situações. Entenderão a partir de suas categorias(expectativas)
culturais e isso poderá ser o motivo do retorno prematuro. Tivemos um caso que
a obreira não saía do msn com o pastor. Levou tantos problemas do campo paraele, que por fim, ele concluiu que já que
havia tantas dificuldades, não valia a pena continuar no campo e pediu para a
obreira voltar.
Lembremo-nos de nossas reações etnocêntricas, quando não
estamos totalmente adaptados, comparamos o Brasil com a outra cultura, sempre
valorizando a nossa e desprezando a outra. Só que desprezar a cultura onde
estamos, ofende o povo e fecha a porta
para ministério. Não há missões sem sacrifício, sem adaptação, sem ser aceito
pelo povo, sem identificação cultural, tornando-se um com os nacionais, os
amando apesar de suas dificuldades.
Vejam
abaixo a linda resposta que recebemos de um de nossos missionários à mensagem
de Silas Tostes. Edinho e sua esposa Paula servem em Burkina Fasso e dão um bom
exemplo do uso da internet e de sua adaptação cultural.
Creio que
a sua mensagem enviada a nós obreiros,
está correta e graças a Deus, já tínhamos percebido isto em nossa vida e
já mudamos algumas coisas: trocamos o msn e demos somente para a família e
líderes, restando somente 10% do que tínhamos; Ligamos para alguns mantenedores
para manter contato pelo skype, mas sem exagerar. Sempre mandamos notícias para um blog que
criamos e assim os amigos podem entrar e saber sobre nos, desta maneira evitamos ler e ter que responder inúmeros
emails, etc. Isto tem dado um bom resultado.
O livro
que mencionou, lembro-me que o li durante o CPM, depois li quando cheguei aqui
em Burkina em 2005 e há dois meses atrás, quando já possuo outra visão de
campo. Esta leitura me levou a refletir no meu crescimento tanto na adaptação,
como no conhecimento da cultura. Sobre a identificação com o povo, tive uma
experiência outro dia a qual me alegrou muito.
Parte do
meu ministério se faz através de uma Escola de Futebol. Estamos em meio a um torneio.
No final de um dos jogos, fomos surpreendidos por uma forte tempestade de chuva(digo
isto, pois poderia ser de areia!). Todos correram para uma pequena cozinha africana,
creio que 2m x 3 m quadrado. Tinha uns 30 meninos ali e eu. Todos nós molhados,
mas o tempo todo rindo, conversando, e vendo a chuva.
Pus-me a
analisar minha vida no meio deles e como estou me comportando com eles. Ficamos
quase uma hora nesse lugarzinho sujo, pequeno, mas era o centro da vontade de Deus
mim. No final, pude observar que todos
eles são meus filhos adotivos e o quanto
os amo. Vale a pena estar com
eles. Fui tomado por um sentimento de MUITA alegria, pois estava no meio do
continente africano com os filhinhos que Deus me deu... uma sensação MARAVILHOSA.
Na terça
feira, seria a final do torneio de futebol e nossa equipe
esta classificada. Já estou pensando em fazer uma festa com eles, pois este
mês, a Escola de Futebol, Meninos de Ouro, faz 3 anos. A taça será o presente e
Jesus o convidado especial. Amamos a Deus e somos felizes de servi-lo aqui no
meio deste povo querido.
Que o
Senhor mesmo nos de muitas outras histórias bonitas como esta. Que nossos missionários
sejam sábios no uso da tecnologia e que sigam o exemplo de Jesus – de humildade,
de esvaziar-se a si mesmo e de obediência.
OBS: Desculpem por não citar fonte, tentei achar, mas não encontrei. O artigo o recebi por e-mail, foi passado para os missionários da Horizontes a pedido do David Botelho (Presidente da Missão Horizontes). - Aurelio Vea Vargas.
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